EXPOSIÇÃO . IRAN DO ESPÍRITO SANTO: RECORRÊNCIA
IRAN DO ESPÍRITO SANTO: RECORRÊNCIA
Curadoria: Fernanda Lopes
Período: 02 de julho a 26 de setembro de 2026
Livre para todos os públicos
A primeira exposição de Iran do Espírito Santo em Ribeirão Preto é uma leitura panorâmica das últimas duas décadas de produção do artista. Com quase 30 trabalhos realizados entre 2008 e 2025, Iran do Espírito Santo: Recorrência reúne desenhos e esculturas, algumas de caráter instalativo, nos quais objetos comuns como lâmpadas, vinis, latas, globos de luz antigos, conta-gotas, bulbos, tigela, fechadura, porcas e roscas, moedas, fitas, lâminas, pregos e gotas, ganham novos corpos em mármore, granito, aço inoxidável, alumínio, cristal, aquarela, lápis e guache.

O título da exposição faz referência a uma das obras do artista que integram a Coleção Figueiredo Ferraz. Recurrency (1999) foi apresentada pela primeira vez na 48ª Bienal de Veneza, quando Iran integrou a representação brasileira em uma das mais importantes e antigas exposições do mundo. Composta por discos de cobre, latão e aço inoxidável, ela reproduz, em escala ampliada, moedas de diferentes países, na maioria de países europeus, anteriores ao Euro, acumuladas indistintamente pelo artista durante algumas viagens. Inscrições, imagens e valores de troca foram eliminados, retornando esses objetos à sua forma mais básica e abstrata (um círculo ou um cilindro), e, assim, deslocando nossa atenção para a presença física desses objetos, evidenciando peso, volume e materialidade. Além de apontar para dinâmicas monetárias e a ideia de mercadoria no campo da arte, Recurrency chama atenção para uma chave de leitura importante para a obra de Iran do Espírito Santo: a recorrência como método de investigação da realidade.

Para o artista, tudo começa no desenho. É a partir dessa recorrência que se estrutura todo seu pensamento e sua produção. Iran parece desenhar como quem procura alguma coisa, movido pelo desejo de contato. Ele é uma maneira de entender a realidade das coisas cotidianas, uma ferramenta para identificar empiricamente as regras que governam o que está à nossa volta. Aqui, o que é tido como pequeno e prosaico ganha uma espécie de densidade. Iran olha, olha de novo, olha mais uma vez. E a cada volta parece encontrar algo que não tinha percebido antes. São objetos que, quando são colocados em palavra, permanecem sempre os mesmos. Lâmpadas são sempre lâmpadas. Assim como fechaduras, moedas e latas. Mas, quando são dados a ver, reaparecem forçando novas interpretações.

Insistentes, esses objetos são, nas palavras de Iran, como "sonhos recorrentes". Essas "coisas que se insinuam e que cobram uma maior atenção" em alguns momentos deixam o espaço do papel para ganhar o espaço tridimensional. Aqui, elas têm sua identidade cotidiana suspensa, deixando a funcionalidade de lado para se aproximarem da abstração. Entre o reconhecimento e o estranhamento, essas esculturas convivem com uma curiosa ambiguidade: afirmam seu peso e sua presença física, estabelecendo inclusive outras relações com o espaço ao seu redor, ao mesmo tempo em que parecem quase imateriais, como imagens tornadas sólidas. Os elementos permanecem os mesmos. O que muda é o nosso olhar ou a nossa percepção sobre eles. Revelando uma prática construída pela atenção paciente, Iran do Espírito Santo nos leva a ver não o que estava escondido, mas o que até então passava despercebido.

Fernanda Lopes
Iran do Espírito Santo: Recurrency

Iran do Espírito Santo's first exhibition in Ribeirão Preto offers a panoramic view of the artist's production over the past two decades. Featuring nearly thirty pieces created between 2008 and 2025, Iran do Espírito Santo: Recurrency brings together drawings and sculptures, including several installation-based works, where everyday objects such as light bulbs, vinyl records, cans, antique glass light shades, droppers, bowls, locks, nuts and bolts, coins, ribbons, blades, nails, and droplets are reconstituted in marble, granite, stainless steel, aluminum, crystal, watercolor, pencil, and gouache.

The exhibition takes its title from one of the artist's works in the Figueiredo Ferraz Collection. Recurrency (1999) was first presented at the 48th Venice Biennale, where Iran represented Brazil in one of the world's most prestigious and enduring international exhibitions. Composed of copper, brass, and stainless-steel discs, the work reproduces, on an enlarged scale, coins from various countries—mostly from European nations before the adoption of the euro—that the artist accumulated over years of travel. Their inscriptions, images, and exchange values have been stripped away, reducing them to their most basic form (a circle or a cylinder) and redirecting our attention to their physical presence, like weight, volume, and materiality. While the work alludes to monetary systems and to the idea of the commodity within the field of art, Recurrency also points toward a key interpretive framework for Iran do Espírito Santo's practice: recurrence as a method of investigating reality.

For the artist, everything begins with drawing. It is through this recurring act that his thinking and production take shape. Iran seems to draw as though searching for something, driven by a desire for contact. Drawing becomes a way of understanding the reality of everyday things, an instrument for empirically identifying the rules that govern the world around us. Here, what is ordinarily regarded as minor or mundane acquires a peculiar density. Iran looks, looks again, and looks once more. With each return, he seems to discover something he had not noticed before. These are objects that, once named, remain ostensibly unchanged. A light bulb is still a light bulb, just as a lock remains a lock and a coin remains a coin. Yet when brought into view, they reappear in ways that compel new interpretations.

Persistent and insistent, these objects are, in Iran's words, like "recurring dreams." These "things that insinuate themselves and demand closer attention" occasionally leave the space of the page and enter the realm of three-dimensional form. Here, their everyday identities are suspended. Function recedes, bringing them closer to abstraction. Hovering between recognition and estrangement, these sculptures inhabit a curious ambiguity: they assert their weight and physical presence—establishing new relationships with the space around them—while at the same time appearing almost immaterial, as though images had taken on physical form. The elements themselves remain unchanged. What shifts is our way of seeing them. Through a practice built on patient attention, Iran do Espírito Santo invites us to perceive not what was hidden but what had previously gone unnoticed.

Fernanda Lopes
Expresso 2222, 2024
Aquarela sobre papel
79 x 59 cm
Conta Gotas (Dropping Bottle), 2013
Granito
62 x 22 x 22 cm
Lata K, 2008
Granito
42 x 30.5 x 30.5 cm
Cortesia do artista
e Fortes D'Aloia & Gabriel,
São Paulo / Rio de Janeiro
Rua Maestro Ignácio Stábile, 200 | Alto da Boa Vista | Ribeirão Preto | SP | Brasil
Terça a Sábado, das 14h às 18h | Entrada Gratuita
+55 16 3623 2261 | +55 16 3623 2262
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