ESCULTURASArtista: José Resende
Período: 21 de março a 13 de junho de 2026

Livre para todos os públicos
A primeira exposição de José Resende em Ribeirão Preto pontua mais de 45 anos de produção, com trabalhos realizados entre 1979 e 2026, dos quais a maioria é recente e inédita. O conjunto não chega a abranger, desse modo, a multiplicidade de materiais, procedimentos e escalas que caracterizam a trajetória do artista desde o início, na metade da década de 1960. Por outro lado, a seleção dá a ver um aspecto nuclear da obra de Resende, que é seu sentido forte de unidade.
Essa noção está presente tanto no percurso do artista, de maneira geral – nas linhas de continuidade entre peças de momentos diversos, na condução ética do trabalho, sem concessões –, quanto na feitura das esculturas, na construção, a cada vez, de um corpo, uma estrutura, a partir de dois ou mais elementos. Com frequência tal unidade resulta problemática, instável e heterogênea. Ainda assim, é uma e é única.
Também as obras desta exposição se constituem, em grande medida, da articulação de seus componentes – por amarrações, atravessamentos e encaixes simples. Por mais que pareçam precárias ou provisórias, tais junções têm a força e a firmeza para torcer seus elementos e sustentar uma tensão capaz de inspirar, paradoxalmente, agilidade e movimento. Contribui para isso o fato de boa parte dessas esculturas ter configurações lineares, sem massa – formadas por linhas, que são, na verdade, materiais da construção civil –, um pouco como desenhos projetados no campo tridimensional.
Dinâmicas, então, as obras recortam o espaço, delimitam áreas e se estendem pela arquitetura (no meio da parede, no piso, na extensão do pé-direito, no canto da sala). Abrem e acionam vazios, a fim mesmo de tirar o ambiente de sua suposta neutralidade e convocar o visitante a tomadas de consciência e posição – em relação ao lugar onde está, aos trabalhos e ao mundo. Como são espirituosas, propõem jogos de repetição e diferença por meio de estruturas que têm constituição física idêntica e se encontram em disposições espaciais distintas. Acumulam, ainda, matérias culturais específicas, referenciando, aqui e ali, Amilcar de Castro, Franz Weissmann, Lygia Clark, Willys de Castro. E, nessas operações todas, reafirmam o ânimo de lidar com a atividade da escultura enquanto exercício, como forma de estar em ação contínua, entre persistências, variações e desvios, e de se pôr à prova sempre.
José Augusto Ribeiro