EXPOSIÇÃO . 621 E TODAS NÓS
621 E TODAS NÓS
Curadoria: Galciani Neves
Período: 23 de março a 14 de dezembro de 2024
Livre para todos os públicos
621 e todas nós
Mulheres artistas na Coleção do Instituto Figueiredo Ferraz

Um cálculo matemático integra o título dessa mostra. Adentrando o acervo da coleção Figueiredo Ferraz, que vem sendo constituída desde o início dos anos 1980, foi possível mensurar quanto espaço na coleção é destinado aos trabalhos de artistas mulheres. Esse cálculo nada simples, dada a singularidade de cada obra, nos coloca diante de um indicativo matérico: a presença física e incontestável de trabalhos de mulheres em uma coleção. Ou seja, nos espaços de conservação e de guarda estão abrigados gestos, tempos, conflitos, desafios, critérios, desejos, intencionalidades e lutas que constituem processos de construção de obras de artistas mulheres.

Sabemos: ser artista no Brasil é uma insistência, e, para mulheres, ser artista, como nos comprova a história, é quase uma ousadia. E disso, podemos pensar: a produção de uma mulher é sempre uma transgressão, uma ação sempre marcada por questões sexistas, sempre atravessada pelas lógicas do sistema das artes que ainda opera de forma misógina e que menospreza as demandas de mulheres. Num mundo em que o machismo rege as práticas sociais, políticas, econômicas, a grande obra de mulheres ainda é manter-se viva, "atenta e forte". E a produção artística não é um subterfúgio ou uma mera distração, mas um modo de se reconhecer no mundo e de garantir sustento. E, sim, o nome dessa imensidão é trabalho.

O título da mostra tem um outro sujeito: todas nós, um personagem amplo, de corpo diverso, que tem a intenção de convidar a pensar sobre as "mulheridades" que nos habitam e a agir coletivamente por um mundo com equidade de gênero, onde mulheres não são obrigadas a se subordinar a homens, onde pessoas, irrestritamente, devem ser respeitadas e precisam ter as mesmas condições, direitos e oportunidades de realizar plenamente seus desejos, além de contribuírem para o desenvolvimento da vida e se beneficiarem dos resultados de seus esforços. Assim, a mostra tem o intuito de discutir como compartilhamos espaços, como podemos conviver com as muitas subjetividades e pluralidades, e como mulheres, apesar do pouco reconhecimento, atuam intensamente para o bem viver.

Organizados em 4 núcleos conceituais (corpo como paisagem, exercícios do corpo, tempos poéticos, a forma como gesto no cotidiano), os trabalhos de 67 artistas que integram o acervo e de outras 6 artistas convidadas aqui reunidos nos propõem que a arte pode ser um dos possíveis territórios para um debate feminista e para planejarmos nossos engajamentos. Na mostra, muitos tempos de criação, linguagens, materiais, índices de produção artística atestam que mulheres escrevem suas próprias histórias. Seus trabalhos são, portanto, provas vivas dessas existências narradas. Então, que agucemos nossas percepções, pois quando uma mulher compartilha a potência de sua voz e de seus trabalhos no mundo, um farol nos ilumina, conclamando a fazermos o mesmo: a agirmos com coragem em prol da liberdade de todes.

Galciani Neves
Sem Título, 1991
Iole de Freitas
Aço inox, ferro, cobre e latão
Rua Maestro Ignácio Stábile, 200 | Alto da Boa Vista | Ribeirão Preto | SP | Brasil
Terça a Sábado, das 14h às 18h | Entrada Gratuita
+55 16 3623 2261 | +55 16 3623 2262
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